Sequência de relatos da RAAM 2019 #1

Atualizado: 29 de jun.

Período: preparação para largada


Escolhi para me acompanhar no relato deste momento a Mel Theophilo, chefe da equipe RAAM 2019 e amiga de longa data.


Meu relato - preparação para largada RAAM 2019

O dia tão esperado! Junto com a chegada dele vem aquela ansiedade, aquele "pânico", insegurança, será que está tudo certo? Eu começo a contagem regressiva.


Neste momento, graças a Deus tinha a Mel (minha amiga e chefe da equipe). Foi sua primeira RAAM, mas Mel está comigo desde de minha primeira ultra solo (Extra Distance SP, 2005), ela sabe muito bem como fico e o que sinto nessas horas que antecedem a largada. Eu tenho total confiança! Estar com Mel nas minhas competições, é ter 100% de certeza que tudo vai "sair" conforme o planejado, todas as exigência da organização serão cumpridas e toda nossa estrutura estará pronta.

A largada era prevista para 1:00pm (próximo disso). Na noite anterior o sono já não foi o que podemos chamar de sono, e sim uma soma de cochilos. Acordei antes de todos da casa mas fiquei na cama. Alexandre (meu marido) levantou, me deu um beijinho e saiu. Levantei na sequência, fiz minha ioga e me senti um pouco melhor. Tomei um banho, último banho calmo para próximos 10,11 ou 12 dias... quem sabe o que viria?! Às 9:00am já estava pegando a bermuda de ciclismo. Ops! nessa hora parei, pois estava muito agitada. Eu troquei o short e desci para comer com todos. Havíamos alugado uma casa para equipe, recomendo muito isso, Mel e Vivian mandaram bem nessa!

A comida me dava enjoo, estava ansiosa. Não adianta, nem pãozinho na chapa descia! Ok ok, comi bananas, mel, aveia e shake de proteína! Todos da equipe estavam de olho em mim, "me filmando", vendo se realmente havia comido algo. Foi nesse momento que vi que o tal macarrão pré largada não iria rolar, mas eles deram um jeito de me alimentar!!


Engraçado, não me lembro o que comi depois neste dia... só sei que comi algo. Me lembro de sair de casa umas 11:00am, 11:30am pois precisávamos alinhar no estacionamento do píer de Oceanside antes de fechar o acesso.


Quando cheguei na área de competição, fiquei muito introspectiva, fechada, quieta com meus pensamentos e óbvio, com muito medo. Ficar quieta para mim é um processo de vencer toda essa agonia, vencer os minutos pré largada. Muitas idas e vindas ao banheiro (inúmeras). Peguei a bike, falava com a equipe mas a sensação era que não estava ali. Coisa de doido!

Só fui me sentir melhor quando chamaram meu nome e alinhei a bike. Aí veio a tremedeira que estou acostumada, sabia que quando estivesse aquecido tudo ficaria melhor. A equipe estava tinindo e ansiosos como eu, óbvio. Afinal, era a largada de RAAM e quem não estaria??


Após a largada, o sentimento mudou, dali para frente já era só alegria. Em questão de segundos tudo virou: "A RAAM largou e minha equipe é a melhor do mundo! Vamos chegar em Annapolis e se tivermos chances e saúde, eles podem me sentar o chicote pela colocação! Esse é o nosso lema. Com a Mel no comando sei que vamos seguir com nosso lema até final. Somos um time forte! Estamos prontos para tudo!." Era esse pensamento que tive no primeiro quilometro dos 5.000km que iríamos enfrentar. Saí do medo, da insegurança, da ansiedade,e em poucas pedaladas me sentia uma fortaleza. Incrivel né? Como foi isso? Ahhh nos metros iniciais de pedal meu olhar cruzou com o da Mel e ela me deu um simples sinal de OK . Pronto: ali vi. "Bora lá no modo Dani de ser ". Partiu RAAM.

 
Relato Mel - preparação para largada

Para equipe, montamos algumas perguntas para que o resgate às lembranças da prova seja mais simples.


1) Como foi lidar com a insegurança pré-competição da equipe e da Dani?

Nossa equipe é experiente e muito coesa, temos muita intimidade nessas situações de prova. Isso traz a tranquilidade de você saber que tem um time te ajudando, isso dá confiança. Insegurança é algo que nunca foi um problema pra nós. Claro que sempre tem uma ansiedade pré competição, sabemos as dificuldades de cada desafio e respeitamos cada percurso e adversário. Além disso a Dani é uma atleta que se conhece demais!


2) Qual a diferença você sentiu na preparação e ansiedade pré RAAM 2019 das outras competições que acompanhou a Dani?

Acho que basicamente o nível de exposição e o fato de ter feito a mesma prova, muito bem, 10 anos antes.

A RAAM tem uma visibilidade maior no cenário ciclístico, é tida como a prova mais dura do circuito mundial de Ultras de ciclismo. Ela exige um grande investimento financeiro além de demandar bastante tempo para treinos. Então, automaticamente com isso vem junto uma cobrança. Em termos físicos e psicológicos, a Dani é uma atleta muito experiente! Em diversos esportes e circunstâncias. Ela lida muito bem com isso.

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